Toda a suavidade de Sofia Basso

 

“E eu posso até jurar que é pra vida inteira, e será, mas de qualquer maneira, não fui feita para ser par”, foi ouvindo esses versos que conheci pela primeira vez o trabalho da campo-grandense Sofia Basso.

Na música há apenas dois anos, não é difícil entender o que encanta em seu trabalho – a suavidade com que interpreta as letras tocam o coração de qualquer um, e faz dela uma das novas promessas na cena musical campo-grandense.

Com uma família bem musical, ela encontrou na música e nas palavras uma forma mais fácil de expressar-se. ”O que me motiva a escrever é que as vezes é complicado ser direta nas palavras quando estamos falando de sentimentos, pois é necessário delicadeza pra tratar de assuntos desse tipo”, explica a cantora.

 

Dá pra notar, além das letras sinceras,vários ritmos unidos e ornando muito bem em seu show solo. Pegadas de blues, de reggae e até de frevo ficam bem expressas em cada composição. Inclusive essa musicalidade também está presente no projeto Rockers Inna Woman Style, em que ela está inserida, junto com os músicos Daniel Geleilate, Jorge Jungle, Rodrigo Shika, Marco Lopes, Diego Maciba, Lauren Cury, Paola Calderaro e Lilian Maira.

Seu trabalho ainda não foi gravado oficialmente, mas é possível conferir suas músicas no Soundcloud e nos vários links que ela disponibiliza em sua página pública no Facebook. Vale a pena dar uma conferida, é música boa na certa!

 

51 anos de Cássia Eller

Falar de grandes artistas sempre é um desafio para a maioria dos jornalistas e quando se trata de uma homenagem para estes, nem se fala. Parece sempre faltar um pouco de bagagem nas costas e de sabedoria para encarar tamanha responsabilidade.

Nestes casos o que facilita é a admiração pela pessoa que será homenageada no texto, o que torna a escrita muito mais prazerosa e, consequentemente, a leitura também.

E admiração é o que não falta quando lembramos do trabalho e da vida de Cássia Eller. Ela faria 51 anos em 2014 se não fossem cinco paradas cardio-respiratórias seguidas de um infarto, responsáveis por tirar a vida da cantora.

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Conhecida por sua timidez nos bastidores, por sua atitude autêntica nos palcos e por ter assumido publicamente sua homossexualidade, Cássia Rejane Eller lançou dez discos autorais durante seus 39 anos de vida. Foram estes: Cássia Eller (1990), O Marginal (1992), Cássia Eller (1994), Cássia Eller Ao Vivo (1996), Veneno AntiMonotonia (1997), Veneno Vivo (1998), Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo (1999), Acústico MTV (2001), Dez de Dezembro (2002) e Rock in Rio: Cássia Eller Ao Vivo (2006).

Sua parceria com Nando Reis, no campo musical, marcou a carreira dos dois. Juntos, Nando e Cássia compuseram sucessos como Relicário, O Segundo Sol e All Star. Inclusive essa parceria foi tanta que dez anos após o falecimento de sua amiga, Nando produziu o disco Relicário – As Canções Que o Nando Fez pra Cássia Cantar.

Fato importante na vida de Cássia foi o nascimento de seu filho, Francisco. Suas músicas ficaram mais carregadas de emoção, começou a cantar de maneira mais suave e seus hábitos mudaram. Ela se esforçou para largar as drogas e viver de maneira mais saudável ao lado de Chicão e de sua companheira, Maria Eugênia.

A vida como cantora

O interesse pela música surgiu aos 14 anos, quando ganhou um violão de seu pai e aprendeu a tocá-lo sozinha. A partir daí, já apaixonada pela musicalidade, nas suas indas e vindas para o Rio de Janeiro, Brasília e Minas Gerais, Cássia cantou em bares, trios elétricos e, para se manter financeiramente, chegou a trabalhar como servente de pedreiro.

Foi em Brasília, nos anos de 1981/1982, junto de Oswaldo Montenegro, que conseguiu se despontar no meio artístico. A autêntica cantora conseguiu um papel no musical “Vejo Você”, de Oswaldo, e já chamou atenção por chegar na estréia da peça sem nenhum pelo em seu rosto e questionando o chefe sobre o que ele achava de seu novo visual.

A participação no musical foi o suficiente para que Cássia conseguisse chamar atenção de todos, inclusive do autor, diretor e ator Marcelo Saback. Juntos eles montaram outro musical, o Gigolôs, e a partir daí sua carreira começou de fato. Mas como todo cantor em início de carreira, quando lançou seus dois primeiros eles obtiveram pouco êxito.

A salvação de seu destino veio com Guto Graça Mello, produtor musical, em 1994, que a convenceu a gravar um terceiro disco no estúdio da casa dele, que conseguiu obter o sucesso esperado: o álbum “Cássia Eller”  vendeu cerca de 100 mil cópias, graças à  faixa escrita por Cazuza e Frejat, “Malandragem”.

 

 

O ano de seu ápice foi  2001, especial para ela mas triste para os fãs. Em janeiro, Cássia Eller realizou o show que reuniu o maior público de toda a sua carreira, durante o Rock in Rio. Quando fez um cover da “Smells Like Teen Spirit”, Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana, falou que aquela havia sido a versão mais legal que já tinha escutado da música.

Ao todo, foram realizados mais de 95 shows em 2001. Com um número desses, o stress e o cansaço eram visíveis. Sua mãe, Nanci, acredita que essa fraqueza, unida com a abstinência de drogas, foram as causas do falecimento da cantora, com apenas 39 anos.

Por conta de sua força dentro da música brasileira, a história de Cássia Eller está sendo adaptada para o cinema por Paulo Henrique Fontenelle, que acredita conseguir defini-la na seguinte frase: “Polêmica, afetuosa, romântica e impulsiva: Cássia encarnava várias facetas dentro de uma só pessoa.”

Les Criolês

Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, nasceu em São Paulo no ano de 1975. Começou a cantar e compor em 1989 e logo se apaixonou pela música e pelo rap. Em 2006 lançou seu primeiro álbum, “Ainda Há Tempo”, que abrangia basicamente o ritmo hip hop.

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Ainda em 2006, Criolo ficou conhecido por ser o fundador da “Rinha dos MC’s”, evento dedicado às batalhas de improvisação Freestyle que existe até hoje.  A “Rinha” possibilita um espaço para os MCS trocarem conhecimentos, idéias, aprendizado e aperfeiçoamento de suas habilidades artísticas, além de abrigar exposições de grafitti e fotografias.

Já no cenário musical, com seu primeiro disco, foi indicado ao Prêmio Hustúz (principal prêmio do Hip Hop brasileiro), na categoria “Revelações da Década”, mas infelizmente não ganhou. Participou de vários filmes, dentre eles, Profissão MC e Da Luz às Trevas.

O “Nó Na Orelha”, lançado em 2011, foi o disco responsável pelo grande sucesso do Criolo Doido, além de lhe trazer vários prêmios no VMB 2011, que concedeu ao compositor os prêmios de Artista Revelação, Melhor Música pela canção “Não Existe Amor em SP” e Disco do Ano.

Após um ano do lançamento do cd, o MC, cantor e compositor já apresentou o repertório de seu álbum em mais de 60 shows, em mais de nove estados brasileiros, Buenos Aires e Nova York.

A apresentação, vencedora do “Prêmio Bravo!” de melhor show de 2011, tem direção musical de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, também produtores do disco. No palco, Criolo se apresenta acompanhado de sua banda, que conta com os produtores Daniel Ganjaman (teclados) e Marcelo Cabral (baixo elétrico e acústico) e Guilherme Held (guitarra), Maurício Alves (percussão), Thiago França (sax tenor e flauta), DJ Dan Dan (voz) e Sergio Machado (bateria).

 

 

O “Nó na Orelha” mistura diversos ritmos, dentre eles samba, rap, reggae, afrobeat e bolero. Atualmente ele produz seu novo disco, e promete lançar mais um clássico.

Ziriguidum de Lurdez da Luz

A cena do rap nacional parecia até pouco tempo dominada por homens, mas, aos poucos, algumas mulheres apareceram mostrando que também sabiam muito de rima, beat e hip hop  – Lurdez da Luz é uma delas.

Sua carreira começou no Mamelo Sound System, cantando ao lado de três homens e sempre mostrando um rap mais agressivo, com temáticas masculinas. No começo de 2010 ela resolveu mudar e começou a cantar sozinha sobre o que realmente queria: sentimentos.

Em seu primeiro EP, o “Lurdez da Luz”, sete faixas misturam rap, hip hop e MPB com letras que falam, em sua maioria, de amor, sendo ele romântico ou não. Inclusive uma dessas faixas, a “Andei”, virou clipe e concorreu ao Video Music Brasil de 2011 na categoria “Melhor Videoclipe”.

 

No “Lurdez da Luz” alguns nomes como Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, Rodrigo Brandão e o produtor americano Scott Hardy participam como convidados do EP e ajudam a abrilhantar o trabalho da cantora paulista.

Hoje, com um som ainda mais mutante do que feito em sua primeira obra, a cantora decidiu incluir mais instrumentos elétricos, transformando sua música em algo mais digital e sintetizado. Seu último clipe, o “Levante” mostra uma Lurdez mais mulher, sensual que se expressa com letras diretas e menos poéticas.

 

Com poesia ou não, dá pra esperar muito do próximo álbum de Lurdez. Seu som faz barulho e mostra que a mulherada é tão boa nesse negócio de fazer rap quanto os pioneiros do estilo.

O som do brega

Rádio, televisão, internet… hoje em dia, opções para entreter-se é o que não falta. Curioso é notar que alguns artistas conseguem destaque mesmo com essa imensidão de conteúdo.

Gaby Amarantos, cantora que escolheu o tecnobrega como sua paixão, é uma dessas figuras que vem chamando atenção. Ligamos a TV e lá está ela, no Faustão, com a Fátima Bernardes, na abertura da novela, no VMB e até cantando na premiação do concurso Miss Brasil.

Também não falta Gaby na internet, a “beyoncé do Pará”, como ficou conhecida, lançou uma versão do hit “Single Ladies” e a partir daí, sua carreira deslanchou.

 

Destaque no VMB 2012 e no Prêmio Multishow, a cantora levou para casa quatro prêmios. Recebeu o troféu de “Hit do Ano” no Prêmio Multishow, com o hit “Ex mai Love”, música de abertura da novela Cheias de Charme. No VMB 2012, garantiu três troféus, o de Capa do Ano, Melhor Artista Feminino e Artista do Ano.

Como se já não bastasse, Gaby foi indicada recentemente ao Grammy Latino, concorrendo a “Melhor Álbum de Música de Raízes Brasileiras”, com seu CD “Treme”.

E claro que tanto talento não podia passar despercebido. A cantora já se declarou uma fashionista, devota dos figurinos extravagantes, com muito salto alto, comprimentos curtíssimos e roupas com direito até à luz de led.

Gaby Amarantos saiu do Pará e foi direto pro mundão, alguém duvida que  ela não vai parar por aqui?

Shine bright like Marina!

Inspirada em Britney Spears, Madonna, Nirvana e Tom Waits, a galesa Marina Diamandis vem conquistando a simpatia do mundo, principalmente das mulheres, e não é difícil de descobrir o porquê: em suas letras a cantora faz questão de exaltar o poder delas.

Com versos como “Regra número um: Você tem que se divertir. Mas quando acabar, seja a primeira a fugir” ou “Quero ser adorada”, dá pra ver que Marina não tem nada de submissa.

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Seu som vai do pop chiclete até o mainstream, sua voz é única e as letras são poderosas – com esses três fatores juntos Marina se diferencia e faz arte com sua música. A imagem da moça tem um quê de Lana Del Rey, se mostrando diva em alguns momentos e em outros um quê da descontraída Lily Alen  – se identifica?

Com dois álbuns lançados, um em 2010 “The Family Jewels” e outro em 2012 “Electra Heart”, Marina pretende vir ao Brasil ainda este ano, para alegria dos little diamonds brasileiros.

 

Algumas críticas foram feitas a respeito do Electra Heart. Para o disco, uma personagem que vaga da depressão amorosa até o feminismo extremo foi criada e não se sabe ao certo se Marina o fez numa tentativa apenas de venda ou se colocou sua essência nesta criação.

Fato é que a compositora, música e cantora consegue diversificar seu perfil e isso é o que encanta em seu trabalho.

O som do jazz campo-grandense

Campo Grande não é uma cidade só de sertanejo, músicos produzem (e apostam!) nos outros estilos. Tem de tudo, desde rap, pop, rock e até dub campo-grandense. Agora é a vez do jazz feito pela Jazz Monde, conhecida também por Jazz de Quinta.

Formada pelos músicos Bianca Bacha (vocal), a banda está na ativa desde 2010 misturando de tudo um pouco. Na verdade os integrantes da JazzMonde nem gostam de se definir como uma banda de jazz conceitual porque tem em seu som muitos elementos, na mesma música eles colocam Red Hot Chilli Peppers, Nirvana, Patti Smith e Pastorious. “Vemos o jazz relacionado às nossas misturas, aos novos arranjos das músicas populares fundidas aos temas clássicos”, disse Bianca.

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Eles começaram tocando no bar Voodoo, a convite da proprietária do local, que sentia falta de jazz e convidou Gil Basso para começar o processo. Ele convidou alguns amigos para tocar e deu certo. Passaram a tocar todas as quintas-feiras no bar e, por isso, ficou conhecida como Jazz de Quinta. O bar fechou mas a banda continou, com força total – mudou de nome e o repertório foi ampliado.

“Posteriormente partiremos para a música autoral. A música própria é sempre a maior realização para um músico”, diz a vocalista.

 

O som é uma delícia de se ouvir, descobrir as influências presentes em cada música é quase um passatempo.  Quando tocam Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque o encantamento é certo. Vale a pena conferir ao vivo o show dessa galera que se arrisca em um ritmo democrático!